“A arte do povo, no centro da cena.”
Nos anos 1960, Lina Bo Bardi enxergou no Solar do Unhão mais do que um museu: viu ali a semente de uma revolução cultural. Sua proposta não era apenas exibir arte, mas dissolver os muros entre o saber popular e os espaços institucionais. O projeto, iniciado como um teatro e transformado em centro de valorização da cultura brasileira, foi interrompido pelo golpe de 1964 — mas jamais silenciado.
Lina sonhava com um museu vivo, onde a vida cotidiana do povo baiano — suas feiras, suas danças, suas crenças, suas mãos — estivesse no centro da cena. Que a arte não fosse objeto distante, mas corpo presente. E ainda que não tenha tido a chance de concluir esse ciclo em vida, a proposta do Teatro dos Ofícios nasce como um gesto de continuidade e reparo.​​​​​​​
​​​​​​​Implantado na parte inferior do MAM-BA, o novo espaço se conecta à Gamboa e à cidade, abraçando a comunidade em torno do museu. O projeto resgata o espírito de Lina: integrar, incluir, ouvir. Pensado para acolher apresentações, oficinas, rodas de saber e manifestações populares, o Teatro dos Ofícios devolve ao Solar sua vocação original — um espaço de cultura com chão, cheiro e som de Brasil.
Diante dos desafios contemporâneos, da precarização da cultura e das novas formas de apagamento simbólico, essa proposta se levanta com urgência e coragem. Porque, como dizia Lina, “o mais importante é a manutenção da alma popular brasileira”.
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