"Onde o deserto avança, a arquitetura responde com inteligencia e sensibilidade."
O projeto foi concebido para a cidade de Abala, no Níger, região fronteiriça ao deserto do Saara e marcada por escassez extrema. Dois terços do território do país são desérticos, e as áreas ainda férteis estão em rápida degradação. Isso se reflete no índice de desenvolvimento humano mais baixo do planeta, agravado pela crise de refugiados vindos dos oito países vizinhos.
Milhares de pessoas chegam a pé, atravessando o deserto por dias, e encontram apenas abrigos temporários e precários, mantidos por organizações humanitárias. A fome, o desemprego e a falta de água e solo produtivo tornam a sobrevivência um desafio constante.
A proposta busca oferecer mais do que abrigo: propõe um sistema colaborativo de acolhimento, geração de trabalho e estímulo à economia local, integrando-se à Grande Muralha Verde — iniciativa continental que combate a desertificação com reflorestamento e ocupação inteligente.
O projeto enfrenta as condições extremas com engenhosidade: temperaturas que variam entre 29ºC e 43ºC, ventos quentes e secos carregados de areia e recursos financeiros quase nulos. A resposta está no uso criativo de materiais vernaculares — areia, argila e pedra laterítica — e em soluções de climatização passiva.
A construção adota paredes duplas de areia e argila, domos ventilados com tijolos de barro perfurados (inspirados em técnicas mexicanas) e sistemas de resfriamento evaporativo, formando microclimas internos estáveis, sem uso de energia. A cobertura metálica elevada, suspensa por vergalhões, cria uma corrente térmica que expulsa o ar quente e protege o interior.
Mais do que arquitetura, trata-se de resistência. Um projeto que semeia dignidade onde tudo parece estéril — com o que se tem, com quem se tem, e para todos que precisam.
pátio interno
acesso
corte
planta tipo fábrica
planta tipo residencial