“Mies Memorial — um gesto de continuidade”
Implantado com precisão entre edifícios projetados por discípulos de Mies van der Rohe, o Mies Memorial propõe mais do que um tributo: estabelece um diálogo silencioso e respeitoso com seu entorno.
A nova biblioteca adota a grelha estrutural como linguagem — ecoando as proporções do Crown Hall — e acomoda seu programa em dois pavimentos e um subsolo. Essa contenção volumétrica preserva a escala do conjunto e reforça o compromisso com a harmonia.
Mas a Bauhaus aqui não é lembrada como passado. Ela é entendida como método: uma forma de pensar, de ensinar, de viver. O conjunto se organiza em três blocos principais: o educacional e expositivo, o de dormitórios e o auditório — todos articulados por gestos arquitetônicos que promovem fluidez e relação com o terreno.
O pavilhão principal, uma caixa de vidro opaca, abriga os saberes. A rampa-promenade atravessa o átrio e conecta os espaços de criação e aprendizagem. O auditório se volta à paisagem e, em sua parte posterior, abre-se como ágora — espaço de escuta, troca e pensamento coletivo.
Aqui, a arquitetura é ideia construída. Precisa, serena e aberta ao tempo.